ECOLOGIA DA INFORMAÇÃO

A informação (Alexander Serres) emerge como um novo ambiente, uma nova ecologia, uma nova poluição. Se a produção, a difusão, a pesquisa, o tratamento da informação se encontram no cerne de inúmeros desafios, se a informação constitui um novo ambiente…, a informação é igualmente objecto de perigos, ‘de acidentes’ (Paul Virilio refere-se a um ‘Tchernobyl da informação’), e de poluição (Eric Sutter – ‘infopoluição’).

Serres socorre-se de Eric Sutter (Pour une écologie de l’information – 1998) para identificar quatro tipos de ‘poluição’ informacional, correspondentes a quatro tipos de riscos ecológicos. Eric Sutter apresenta para cada um deles uma metáfora, uma imagem forte, e aponta as ‘patologias potenciais’ induzidas por estas poluições.

Primeira poluição: a superabundância

Metáforas, imagens:

  • o ‘oceano’ ; o ‘dilúvio informacional’
  • imagens de poluições ecológicas  –  a inundação, a asfixia

É de notar  a mudança de metáfora: nos anos 60,  falava-se de ‘explosão documental’ para designar o aumento vertiginoso do número de publicações científicas e técnicas. Com a Internet espalhou-se a metáfora aquática do ‘dilúvio´.

Causas: A passagem de uma situação de penúria, de raridade da informação, a uma situação de abundância informacional (a explosão documental dos anos 60, a sociedade mediática, os efeitos da ‘aldeia planetária’ …) é uma causa histórica. A explosão da Web e dos recursos na Internet ( o número diluviano de páginas Web ‘visível’) é uma causa imediata.

Efeitos:

  • a desorientação: fenómeno de perda de referências, de desorientação, de ‘afogamento’, no hipertexto mundial…
  • a saturação (muita informação mata a informação; muita informação cria uma espécie de saturação e não se cosegue extrair o ruído  –  Joel de Rosnay)
  • a cegueira: a infopoluição [que] conduz a um certo embrutecimento dos espíritos que impede de ver a árvore na floresta e de discernir a verdadeira informação – Victor Montviloff
  • o desenvolvimento na pesquisa de informação na Web, na maioria dos internautas verifica-se a existência de uma dependência em relação aos motores de busca (90% apenas consultam a primeira página dos resultados que os motores de busca apresentam).

Se esta nova superabundância informacional é um fenómeno irreversível, incontornável, e sobretudo impossível de dominar, as respostas devem ser procuradas pelo menos em duas direcções:

  • do lado dos utensílios e dos métodos de tratamento da informação
  • do lado dos utilizadores da informação

in Público na escola, nº 200 – Fevereiro 2010

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