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‘A Internet é o tecido das nossas vidas’

Março 11, 2010

[…] Temos então duas palavras-chave:  Educação e Comunicação, quando falamos de assuntos que relacionam crianças, jovens e tecnologias da comunicação e informação.

Quant à comunicação, e no caso concreto da Internet e dos jovens, ela é claramente um nó de ligação. […] comunicar é aquilo que os jovens mais fazem nas suas utilizações das Tecnologias de Informação e Comunicação, especialmente Internet e telemóveis.

Manuel Castells, na sua obra Internet Galaxy, publicada pela primeira vez em 2001, começava por dizer: “A Internet é o tecido das nossa vidas!”. Actualmente, eu diria que “as nossas vidas são o tecido da Internet”. E isto é tão mais verdade quando falamos nas utilizações feitas pelos jovens. O que nos obriga, necessariamente, a por em causa a tradicional dicotomia entre o mundo on-line e o mundo off-line. Eles são apenas e só ‘mundo’, neste caso o mundo dos jovens e crianças, o seu contexto, o local, o ambiente onde se desenvolve a sua actividade mais típica, mais relevante, mais significativa, especialmente na adolescência: “comunicar”, preferencialmente entre pares.

[…] Quanto à educação, há dois aspectos que vale a pena referenciar […]. O primeiro diz respeito à crescente importância do learning by doing, aspecto essencial na prática corrente das novas tecnologias, nos seus diversos aspectos e manifestações. O outro aspecto diz respeito às literacias que se adquirem fora do sistema formal de ensino, a chamada “pedagogia oculta”. Ambos estão presentes de forma muito efectiva quando as crianças e jovens utilizam as TIC no seu quotidiano.

Vale a pena também recordar que a “geração Magalhães” merecerá, necessariamente, estudos de referência e evolutivos, pois é algo que vai, inevitavelmente, ter consequências a prazo (e num prazo não tão longo como isso).

As implicações da utilização das TIC em contexto escolar e não escolar, mas com efeitos na aprendizagem, têm sido estudadas e […] são efeitos claramente positivos. Mas […] um estudo realizado nos EUA, coordenado por Mizuco Ito (Digital Youth Project) […] , um estudo etnográfico que entrevistou mais de 800 jovens e envolveu mais de 5000 horas de observação on-line, concluiu relativamente aos usos que eles dizem respeito às motivações dos jovens para a utilização das TIC.

As motivações são de dois tipos básicos:

– friendship-driven (onde entram as redes sociais de todos os tipos);

– interest-driven(desde jogas a música, cinema… tudo o que os leva para fora da comunidade local/escolar).

São no fundo novos modelos de socialização e de aprendizagem que conjugam o mundo on-line e off-line naquilo que é o ‘mundo dos jovens’. Ao desenvolverem actividades através destes dois canais de motivação, os jovens ‘ganham’ formas de literacias técnicas e de media, quebrando barreiras sociais e formais (e por vezes culturais9 e fomentando a auro-aprendizagem, fazendo aqui a relação entre as duas palavras-chave: Educação e Comunicação, num contexto de autonomia e liberdade, tão caro para as novas gerações.

Estas novas formas de utilização dos media obrigam-nos a todos a recolocar o enfoque nos modelos de socialização e aprendizagem dos jovens, não negligenciando o papel dos adultos (educadores, pais, políticos) neste contexto.

[Texto abreviado]

Espanha, Rita [ISLA]. “As nossas vidas são o tecido da Internet”. Público na escola nº195-Outubro 2009, p.7.

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O uso versátil dos media pelos jovens portugueses

Fevereiro 4, 2010

«Ainda quanto à televisão e à Internet outras respostas apontam para uma curva descendente da TV e uma curva ascendente da web enquanto se é jovem. Dois terços (64,9%) dos jovens concordaram totalmente ou bastante que estão mais tempo na Internet do que a frente do televisor. noutra questão, 67,2% concordaram totalmente ou bastante que vêem hoje menos TV do que há alguns anos. este valor é consistente com um resultado dum estudo da Fundación BBVA divulgado esta semana em Espanha: 27% dos espanhóis disseram ver menos TV desde que usa a Internet. Mas, de novo, é preciso considerar quão resistente é a televisão: no meu inquérito, 81,3% concordaram pouco ou nada que a TV esteja ultrapassada, que seja uma perda de tempo. Acontece que os jovens a usam como querem, acham-se no comando: 84,4% disseram ser totalmente ou bastante selectivos nos programas que vêem.»

Eduardo Cintra Torres, Público, 10-05-2008

Disponível em URL: http://www.netprof.pt/netprof/servlet/getDocumento?id_versao=19219   [Consultado em o3 de Janeiro de 2010]