Posts Tagged ‘novos media’

Literacia para os media

Setembro 28, 2012

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UM ARTIGO SOBRE VIDEOJOGOS

Março 4, 2010

Numa investigação finalizada em 2007, 260 jovens do 9º ano de escolaridade de 14 distritos falaram sobre as suas práticas de videojogos, nomeadamente on-line, e sobre a sua perspectiva sobre esses usos. Neste estudo, verificou-se  que uma percentagem significativa dos jovens (58,3%) joga on-line e fá-lo muitas vezes com outros, tanto colegas conhecidos, como com pessoas doutras partes do mundo. Os jogos favoritos são de futebol, de luta, de carros e todos os que têm um elevado grau de desafio, que obrigam o jogador a estar concentrado, que são divertidos, mas também os que permitem serem jogados em grupo. Para além disso, alguns dos jovens inquiridos (63,5%) acreditam que se pode aprender com os jogos, por exemplo, a pensar, a ganhar destreza física e mental e a perceber que ‘nem tudo na vida é como nos videojogos’. 

Para  complementar a perspectiva dos jovens e com o propósito de  de obter a percepção das famílias sobre os videojogos, realizaram-se quatro entrevistas a pais (no caso, todas mães), com filhos a frequentar o 4ºano do 1º ciclo. Estas entrevistas tinham um caracter meramente exploratório na medida em que procuravam apenas fazer o levantamento das perspectivas dos pais sobre a temática a analisar, pretendendo-se dar continuidade através de um estudo mais alargado e abrangente. Para esta altura, o objectivo era reunir informação que pudesse auxiliar e orientar a elaboração de uma brochura sobre os videojogos.

A primeira dificuldade das entrevistadas é saberem o que é um videojogo. Uma refere ‘não estar muito a par das brincadeiritas da filha no computador’ e outra das entrevistadas diz ‘nunca joguei com os meus filhos, não gost, faz-me aversão’. Por isso, a ideia do que é jogar têm-na, segundo outra das mães, ‘pelas filhas’. E o facto de não jogarem conduz a uma sensação de ‘estar um bocado à parte’; ‘vejo jogar, mas participar só uma vez ou duas’.

Não significa isso que não sigam esta actividade dos filhos. Observam aquilo que eles vão fazendo, apesar de não perceberem ‘como têm paciência para estar ali tic-tic, tic-tic … Dessa observação e ‘da conversa com os meus filhos, vejo que há um objectivo no jogo, tem de se passar vários obstáculos e vários níveis para se ganhar pontuação’. As conversa sobre video jogos parecem partir mais das crianças: ‘Às vezes, com o entusiasmo, se se passa alguma coisa, vem explicar-me o que conseguiu fazer. Eu ouço, mas o que ele diz ou nada é quase igual, mas para ele é uma vitória’.

Ao solicitarmos que explicassem os motivos que fazem as crianças gostarem dos videojogos, as entrevistadas identificaram o poder controlar e o serem autónomos, o soltar a imaginação e a dimensão lúdica como os aspectos essenciais. 

Pedia-se, ainda, que indicassem informações relevantes para os pais em geral ficarem a conhecer melhor os videojogos. Por um lado, uma das respostas obtidas refere que ‘devem saber os perigos que isso traz para informar os filhos’. Dicas como seleccionar jogos que tenham ‘simultaneamente desafio, interesse, dificuldade e sejam adequados à idade deles’; ou explicitação de problemas associados e a gestão das horas de jogo  são outras sugestões mencionadas. Para outra das mães inquiridas, ‘a tendência é pensar sempre nos aspectos negativos e valorizar mais esses factores’, por isso defende que ‘seria interessante mostrar algumas vantagens’.

A auscultação das perspectivas de jovens e dos pais, com os resultados do primeiro estudo e o conteúdo das entrevistas, constituem-se como fontes que ajudam a justificar e a fundamentar a construção de uma brochura sobre os videojogos, e juntamente com uma sobre televisão e outra sobre Internet e Redes Sociais, são produto de um projecto (…) . O objectivo deste recurso é reunir conteúdos que permitam aos pais terem informações claras, concretas e num formato de fácil consulta, mas que apresentem os videojogos nas suas várias dimensões. Este será mais um instrumento que permitirá aos pais cumprir as suas funções de mediadores e poderem interagir com os filhos relativamente a um assunto que nem sempre dominam, como se observa pelas entrevistas, e sobre o qual, com frequência, têm informação numa perspectiva negativa.

PEREIRA, Luis [Universidade do Minho] – Dimensão lúdica: ‘Nem tudo na vida é como nos videojogos’, in Público na Escola, nº195 [Outubro 2009], p.8

Namoros online…cuidado!

Fevereiro 14, 2010

Artigo do jornal Público

Podemos encontrar hoje no jornal ‘Público’ um artigo que pode servir de advertência aos jovens…e não só.

O artigo ocupa uma página (p.8) e fala de uma relação começada no Hi5 e que não se desenvolveu da melhor maneira.

(…) Ele ofereceu-lhe uma explicação para a sua estranheza: era esquizofrénico. Ela tornou a ir ao Google e a ler a Wikipedia – ‘Transtorno psíquico severo que se caracteriza classicamente por uma colecção de sintomas que podem ocorrer, como: alterações do pensamento, alucinações (sobretudo auditivas), delírios e perda de contacto com a realidade’ .

Saberia ela lidar com aquilo? Quereria ela lidar com aquilo? Deu sinais de querer romper com o namoro. Ele propôs-lhe que ficassem, pelo menos, amigos coloridos. E ela acedeu, com a ideia de se ir afastando. ‘Um tarde, estava em casa, telefonou-me a mãe dele a dizer que ele tinha namorada’.

Filipa foi ao perfil dele no Hi5. Leu todos os comentários que lá encontrou, analisou-os com cuidado. Não tardou a confrontá-lo: ‘Namoras com fulana tal’. Primeiro, ele negou. Depois admitiu. Mandei uma mensagem à rapariga pelo Hi5. Trocamos endereços de Messenger. Falámos horas. Ela dise-me: ‘É impossível! É impossível ele estar a enganar-me.’ (…) Mandei-lhe os históricos do Messenger para ela ver que ele passava horas a falar comigo. Ele vivia duas vidas. Ficou furioso por eu ter contado tudo. Começou a ameaçar-me (…).

O carro estacionado na garagem apareceu riscado. Depois o perfil foi clonado. Denunciei a infracção à administração do Hi5. Apagaram, mas demoraram a fazê-lo. Foi preciso mandar um monte de e-mails para o fazerem. Aquilo deve ter estado um mês no ar. Entretanto toda a gente viu.

Mudou o número do telemóvel. Durante semanas andou a olhar para trás. Estaria ele a persegui-la? E se a atacasse? Passou a limitar bem o contacto com desconhecidos na Net. Na certeza de que essa protecção é falsa: ‘Na rede, como cá fora, há de tudo’.

Dia dos Namorados: quando a violência no namoro se estende às redes sociais online. In PÚBLICO, 14 de Fevereiro de 2010, pág. 8.

Redes sociais: uma mais valia?!…

Fevereiro 6, 2010

A discrição, a motivação e o talento são características pelas quais uma entidade empregadora consegue avaliar um candidato através da internet, pelo que os perfis nas redes sociais e as páginas pessoais podem ser uma mais valia laboral.

‘Numa área artística, redes sociais como o hi5 ou o Facebook permitem ao candidato mostrar mais de si e até facultar informação que não é avaliada num contexto de entrevista’ (…).

(…) as páginas pessoais na Internet – sejam sites ou blogs – começam também a ser referidas nos currículos dos candidatos, nomeadamente na área do design ou quando são pessoas que fazem trabalhos manuais – como bijuteria – e os comercializam. (…)

(…) ferramentas como o Myspace, Facebook ou hi5 podem ser interessantes para empresas abordarem o mercado e o recrutamento de forma mais criativa (…).

(…) o facto de estas plataformas revelarem ‘como é que a pessoa comunica, a sua forma de estar e o que mais valoriza’ pode torná-las importantes para os empregadores. Podem ajudar a antever a motivação e ambição de determinado candidato para o posto de trabalho a que concorre e a perceber como é que ele vai encaixar na cultura da empresa, o que é fundamental. (…)

 

‘Espaços pessoais na Net podem ser uma mais-valia laboral’, in Diário de Notícias, 28 de Maio de 2009.

Os utilizadores do Facebook por idades (USA)

Fevereiro 5, 2010

 

Utilizadores do Facebook nos EUA

Veja mais aqui   http://www.scottmonty.com/labels/social%20networks.html

Media digitais e construção da identidade social – Actividade III (cont.)

Fevereiro 3, 2010

2. Como se apresentam?

A Internet é vista como a oportunidade para apresentarem a sua melhor faceta.

Muita da literatura existente sobre blogues foca o tema da auto-apresentação (self-presentation), que é caracterizado como ‘representada’, no sentido de que representamos papéis nas nossas interacções, como actores num palco. Isso obriga-nos a ter a perspectiva do outro e considerar o modo como lhe parecemos.

Na Net os autores têm maior controlo sobre a impressão que causam do que na vida real, uma vez que decidem o que revelar, o que omitir, embora limitados pela capacidade de design e do próprio software. Estes bloguistas jovens preocupam-se muito com a imagem que projectam, e também que o seu ‘site’ contenha uma cultura mais abrangente.

Embora possam ver-se como originais e os seus trabalhos como únicos, as escolhas que fazem do modo como se apresentam, estão ainda enformadas por uma sociedade que se rege bastante pela aceitação e o ‘fica bem’. Além disso, são influenciados pelos media e pelas indústrias culturais. As auto-apresentações que são oferecidas nos ‘sites’ pessoais devem ser encaradas como construções, não espelhos, do sentido emergente do eu.

Algumas bloguistas (do sexo feminino) apresentam assuntos tabu ou outros relacionados com a depressão, auto-mutilação, tendências lésbicas. Os bloguistas (sexo masculino) partilham música, imagens e assuntos relacionados com a homossexualidade, violência, medo e rejeição.

Os jovens lamentam a sua falta de habilidade para falarem nestes assuntos com os amigos ou família com receio de reprimendas, e não frequentam os lugares onde estes tópicos podem ser discutidos em segurança. Por isso eles são tão gratos à Internet, por poderem explorar ali esses assuntos. Usam o pseudónimo como forma de salvaguardar o anonimato. Na Net encontram-se muito mais à vontade.

No entanto, rejeitam o termo ‘experimentation’ para as suas práticas na Internet, porque podem sugerir algo que não é verdade nem real. Assim, alguns estudiosos preferem o termo ‘pretending to be someone else’.

Os ‘sites’ pessoais dotam os jovens com espaços um tanto protegidos para reconfigurarem o eu verdadeiro, o possível e o ideal, o possível e o ideal através de vários arranjos, todos centrais para a auto-imagem.

3. Que papel desempenham as audiências nas suas tomadas de decisão?

 A construção e alimentação dos blogues contribui para a formação da personalidade dos jovens, confirmando estes que nos blogues conseguem ser mais honestos consigo próprios do que na vida real. Contudo, os jovens procuram uma validação social da parte da sua audiência. Se os seus perfis forem forjados, o ‘feedback’ dado pelos visitantes torna-se irrelevante.

Além de confirmar que o que dizem é ouvido e valorado, os comentários podem tornar-se fortes incentivos para a mudança do que esses jovens pensam sobre si próprios e o seu comportamento na vida real.

[My blog has] made me feel more comfortable with myself … Instead of having to do things to please other people, to put on different masks for everyone, it’s sort of made me say, ‘Hey! This is who I am! And you want to write in your comments, go ahead, but read this – This is me. Either you like it or you don’t …

Mas existem aqueles cujos perfis são tão pouco interessantes que decidem mudar alguma coisa em si na vida real.

Embora queiram ‘feedback’ e façam tudo para esse seja dado, os jovens também querem ser respeitados. As críticas negativas são vistas como invasão da privacidade.

Building walls, or not??…

Fevereiro 3, 2010

Construção de identidade na adolescência [2]

Fevereiro 2, 2010

Construção da identidade

*auto-definição

*características interpessoais

*traços da personalidade

*papéis e relações na interacção

*valores pessoais

*valores morais

*vários ‘eus’ públicos

*procura de quem somos (who one is)

(…)

Tarefa difícil a que se apresenta aos adolescentes, a da construção da sua identidade.

De que modo os adolescentes utilizam ‘weblogs’ para explorar a sua identidade?

         Os constrangimentos físicos relacionados com o corpo, sexo, raça ou idade podem ter efeitos profundos na definição do eu e na sua apresentação. Mas no mundo virtual os adolescentes encontram mais flexibilidade para a exploração da sua identidade através da linguagem, do seu desempenho e da personalidade que assumem.

         A linguagem utilizada na ‘net’ (netspeak) provém de adaptações de palavras ou conjunto de palavras por meio da criatividade; sendo representadas através de sinais gráficos (e não só) as emoções que a acompanham.

         Os ‘blogs’ (diários virtuais) são criados e mantidos por indivíduos,  podem ser acedidos publicamente e possuem características próprias – utilização simples, modo prático de arquivar informação e conhecimento, possibilidade de comentários, ligação a outros bloguistas, formação de comunidades ‘online’.

         Estas características proporcionam a construção de uma identidade ‘online’. Além disso, não é necessário um saber técnico profundo para criar e manter um blogue, o que faz com que a aplicação seja acessível a todos independentemente do género ou da idade.

         Alguns estudiosos apresentam os adolescentes, tanto do sexo masculino como feminino, como sendo os administradores de cerca de 52% dos ‘blogs’.

Os ‘blogs’ não necessitam de IDs para que a aplicação possa ser usada. O autor está completamente à vontade e outros podem ‘postar’ de modo anónimo.

O que intriga os estudiosos é que, mesmo com esta possibilidade, os autores (adolescentes) revelam os seus nomes, informação pessoal, idade e lugar.

Estudos realizados com bloguistas adolescentes mostraram que eles revelam uma quantidade considerável de informações pessoais (os homens mais do que as mulheres); mencionam as suas relações (homens mais capazes de falar sobre homosexualidade); apresentam-se de um modo realístico (os ‘blogs’ como prolongamento da vida real); discutem coisas que influenciam ou causam impacto na vida real.

Embora anteriormente as mulheres revelassem uma linguagem diferente da dos homens, esse facto tem vindo a se esbater.

“(…) One possible implication is that the language and the social interactions on the Internet are changing, perhaps because the participants are changing. That is, the latest wave of teenage females, at least female bloggers, may have different gender roles from those of earlier generations that Lakoff observed. Alternately, females who choose to create blogs may be less traditional in their gender roles than the general population. (…)”

“(…) The Internet has provided a new context for identity exploration, as the virtual world provides a venue to explore a complex set of relationships that is flexible and potentially anonymous. Language on the Internet represents a new type of discourse that is shaped by the creativity and innovation of its communities of users (…)”

“(…) Weblogs represent a CMC environment where both identity and language play important roles. Not only are teenagers using weblogs to present an online identity, but also to express their ideas, experiences, and feelings using an adapted language. (…)”

Um comentário:

Concordo  quando diz [Raquel Ramos] que os diários virtuais são boas ferramentas para o desenvolvimento da criatividade, que os deveríamos explorar como ferramentas pedagógicas e, também, para conhecer melhor a geração com que todos os dias lidamos.

Ao criar um blogue o objectivo é partilhar interesses com uma comunidade (fotos; música; poesia; leituras; um mundo variado de gostos pessoais …). Acho muito interessante o facto de podermos percorrer a blogosfera, encontrar pessoas com os mesmos interesses e gostos, podermos emitir opinião através dos comentários que vamos deixando e recebendo.

Não sendo eu uma ‘teenager’, acho que essa possibilidade será para eles (teenagers) menos valorizada do que poder ‘falar’ acerca de tudo o que os preocupa e com a vantagem (que os antigos diários não facultavam) de poderem receber ‘feedback’.

Mas existem muitas armadilhas como as ‘máquinas de fazer comentários’, que na verdade não têm uma existência real. Isso poderá ser resolvido com a moderação de comentários, que é facultada na própria construção do blogue. Provavelmente estas serão as que menos estragos poderão causar. Os jovens dominam a técnica melhor do que a maioria dos adultos, mas os adultos possuem um conhecimento do mundo e do ser humano mais consistente, que permitirá orientar os jovens, se eles deixarem.

Será que os diários, tal como os conhecemos, deixarão de existir? Ou será que alguns destes diários virtuais conseguirão uma audiência tão expressiva que justificará uma publicação, coisa que já tem acontecido com alguns. Estou a pensar em como seria uma versão virtual de um ‘Diário de Anne Frank’?!

As profundas mudanças

Fevereiro 1, 2010

Vive-se hoje num mundo de rápidas e profundas mudanças que alteram de forma significativa a forma como as pessoas interagem entre si. Não é só a forma de comunicar que tem vindo a alterar-se, mas a própria forma de ver o mundo, a vida, os outros e a rede de relações que nos fazem existir como pessoas. Margaret Mead, no início dos anos 70, dizia que os adultos, que à época tivessem nascido antes da 2ª Guerra estavam condenados a sentir-se como imigrantes no tempo. Com efeito, a sociedade em que eles nasceram, em que eles eram ‘nativos’ desaparecera entretanto. Assim, as pessoas mesmo sem se deslocarem, podendo viver na mesma casa em que nasceram, obrigatoriamente experimentavam o desenraizamento daqueles que outrora mudavam de continente. Uma ideia semelhante é sugerida por Prensky quando ele distingue os nativos digitais dos imigrantes digitais. Àqueles que nasceram na era da disseminação da informática ele denomina nativos digitais, e que corresponde em grande parte à geração que actualmente frequenta as nossas escolas básicas e secundárias. Inversamente os adultos, pais, avós e professores cresceram num mundo totalmente diverso. Os avós e os professores mais velhos nem sequer nasceram com a televisão. Os pais e os professores mais novos já nasceram num mundo marcado pela televisão, mas completamente alheio à revolução que veio a ser introduzida pelas novas tecnologias  da comunicação. Dito de outro modo, se recuarmos no tempo, constatamos que em poucos anos, as alterações foram muitíssimas e profundas, no ãmbito da tecnologia, economia, cultura,comunicação, política. (…)

Usando os termos de Prensky, na escola temos os professores – imigrantes digitais – e temos os alunos – nativos digitais. dito de outro modo os professores estão confrontados a ensinar e a organizar processos de aprendizagem para alunos que estão mergulhados numa cultura bem diferente da sua. Uma tal situação apresenta-se com desafios de toda a ordem. (…)

Consideráveis esforços têm sido dispendidos em investigações que se têm focalizado na descrição e compreensão das dinãmicas da sala de aula decorrentes da integração das TICs. No entanto, este campo de investigação, embora ainda em franco desenvolvimento – mas nem sempre abarcando a enorme complexidade do que está em causa – não tem sido equivalente na descrição, análise e compreensão do lugar que a comunicação virtual ocupa no desempenho da complexidade de funções que os professores são chamados a desempenhar na escola. (…)

O recurso a funcionalidades da comunicação virtual, pode revelar-se como potenciador de estratégias de maior eficiência e maior eficácia para a superação das dificuldades quer de natureza pessoal, quer institucional, que os professores têm de enfrentar.

As tecnologias de informação e comunicação podem propiciar um novo tipo de interacção professor/aluno, uma nova forma de integração dos professores na organização escolar. (…) Importa que os professores possam apropriar-se não só das tecnologias que pertencem a um mundo de que não são nativos – o que em muitos casos corresponde a aprender uma língua estrangeira – e que se sintam à vontade na comunicação com essa nova linguagem. (…)

RANGEL, Maria José – As TIC na Educação. Notícias da Federação, nº 4, Dezembro 2009.  p. 7

Nativos digitais e imigrantes digitais

Fevereiro 1, 2010

ACTIVIDADE  I

  • identificar e discutir as características atribuídas ao estudante digital;
  • definir o perfil do estudante digital;
  • leitura de textos.

RECURSOS

– PRENSKY, Marc – Digital natives, digital immigrants. In On the Horizon, Vol. 9, No 5, October 2001. NCB University Press.

– PRENSKY, Marc – The emmerging online life of the digital native: what they do differently because of the technology. [A work in progress]. 2004.

ESTUDANTE DIGITAL

– A tecnologia é parte integrante da sua vida (jogos; Internet; e-mail; mensagens instantâneas; telemóvel);

– Utiliza a tecnologia de um modo diferente quando comparados com os ‘imigrantes digitais’;

– Cria o seu modo próprio de fazer as coisas, pensando e processando a informação de uma maneira diferente;

– Faz com que as suas actividades se incluam nas novas tecnologias;

– Possui um enorme desejo de criar;

– Interessa-se por jogos online com vários intervenientes;

– Aprende apenas o que lhe interessa utilizando as ferramentas que a Internet disponibiliza;

– Procura informação, pessoas, produtos… utilizando as ferramentas da Internet;

– Não pensa no excesso de informação nem na sua filtragem;

– Gosta de partilhar informação;

– Cria programas próprios,

– Está em constante evolução;

– Está a criar uma forma de vida diferente.

ESTUDANTE DIGITAL E COMUNICAÇÂO

– Privilegia o e-mail e o ‘chat’;

– No ‘chat’ acompanha várias conversas em janelas variadas;

– Tem facilidade em fazer amigos na ‘rede’;

– Participa em grupos de discussão com os mesmos interesses;

– Torna-se mais comunicativo (não está sujeito à aparência);

– Cria sistema de escrita rápida; códigos; mensagens próprias; símbolos para as emoções (objectivo: ser compreendido);

– Partilha informação mais ‘pessoal’;

– Partilha imagens, etc;

– Preocupa-se com a segurança.

(Existe um ‘gap’ entre os alunos actuais e os seus professores. Assim sendo, os professores terão de adaptar-se às mudanças e tentar seguir viagem no mesmo comboio. O mundo digital está em tudo à nossa volta, não há como voltar para trás para o chamado ‘bons velhos tempos’. Será que seria assim tão bom?!…)

Um comentário:

Boa noite, Maria Brígida.

O seu comentário interessou-me, porque foca dois pontos importantes. O estudante nativo digital tem muita facilidade no domínio das ferramentas tecnológicas, e as utiliza para fazer o que mais lhe interessa e dá prazer. Mas como irá ele transformar a informação, a que acede com facilidade, em conhecimento?

Outra questão que, também, deixa para reflexão é: todos os nossos (e não só) alunos são realmente nado-digitais?

Sabemos que não. As diferenças económicas, sociais e culturais são ainda muito acentuadas na nossa (e não só) sociedade, não permitindo que muitos dos nossos alunos desenvolvam todo o seu potencial. Neste ponto as bibliotecas escolares (e mesmo o contestado ‘Magalhães’) poderão vir a desempenhar um papel com algum significado, na minha opinião.