Posts Tagged ‘tecnologias da informação’

ECOLOGIA DA INFORMAÇÃO (cont.)

Junho 18, 2010

DESAFIOS PARA OS PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO

Com a Internet ocorreu uma alteração radical do modelo tradicional de procura da informação: a validação da informação não está a cargo do profissional mas do utilizador. Daí o ‘apagamento’ relativo dos profissionais da informação, assim como de todos os mediadores. Mas com a Internet, os profissionais da informação vêem as suas actividades desenvolver-se segundo dois eixos, nos quais se coloca a questão da avaliação da informação. O primeiro diz respeito à descrição, avaliação, selecção e validação das informações e dos recursos; o segundo  diz respeito ao acompanhamento e à formação dos utilizadores para a pesquisa e selecção de informação.

AVALIAÇÃO DA INFORMAÇÃO

A avaliação da informação na Internet suscita, há alguns anos, uma abundante produção de textos e mobiliza gente de campos muito diversos do saber. Isto é um óbvio testemunho da importância e da natureza dos problemas ligados à avaliação. Alexandre Serres detectou pelo menos três sinais que testemunham  a chegada em força da avaliação: aparecimento de cada vez mais critérios para aferir a qualidade da informação; esses critérios variam segundo os domínios e os objectivos dos diversos utilizadores e para avaliar existem já grelhas de avaliação.

O segundo sinal é o aparecimento de empresas, de sites, de instrumentos, especializados em avaliação, qualidade dos sites Web, etc.

O terceiro é a promoção de iniciativas para avaliar a qualidade dos sitesWeb institucionais. O Quadro de Qualidade de Bruxelas, criado por uma resolução europeia do Conselho de Ministros da Cultura, adoptada em Novembro de 2001, assume-se como o ‘primeiro utensílio europeu’ a estabelecer um conjunto de critérios de qualidade aplicável aos sites culturais. O objectivo é incentivar os sites culturais a apostarem na qualidade. Esse instrumento pretende aferir a qualidade em termos objectivos e mensuráveis, contendo, para isso, algumas categorias de critérios, que dizem respeito à apresentação do site, ao conteudo, à política, à concepção ergonómica e à interactividade.

http://www.umic.pt/images/stories/publicacoes200709/communication_acte_pt_fin.pdf

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A despedida do giz

Março 21, 2010

‘Com efeito, o boom das tecnologias de informação e comunicação (TIC) na educação ainda está por chegar. não se trata de aulas futuristas, mas de um novo tipo de ensino, apoiado em potentes tecnologias, em que haverá maior confluência entre educação formal e não-formal (a que se aprende fora da escola). Assistiremos à multiplicação das fontes de conhecimento, o professor vai passar a ser um transmissor e regulador da aprendizagem e surgirão novos dispositivos para navegar, ler e escrever. E não serão só os professores que terão de mudar; o mesmo destino está reservado aos alunos.

A transição Já começou. Já não é necessário ficar com marcas de giz nos dedos desde que os quadros digitais interactivos presidem às aulas. Um videoprojector ligado a um computador faz incidir imagens no quadro, controlado por um portátil ou um tablet PC, ou directamente no monitor. As possibilidades dependem apenas da criatividade do professor. (…) Diversos estudos, como os da britânica Julie Coghill, doutorada em educação, demonstram que os jovens, familiarizados com o hipertexto e a interacção, participam mais nas aulas com quadros interactivos. Além disso, estes potenciam a cooperação e as aptidões sociais, e também motivam os professores.

A clássica imagem escolar do lápis e caderno sobre as carteiras desaparece por completo. Cada aluno trabalha com o seu computador portátil, e o professor controla os seus écrâs com um programa próprio. (…)

É também necessário tomar em consideração que a tecnologia deve estar adaptada ao espaço e à duração de uma aula.Esta dura, em média, 50 minutos, e o professor perde cerca de cinco minutos para preparar o projector, mais cinco para os alunos ligarem os seus equipamentos, e depois é preciso desligar tudo. e pode correr mal, o que não acontece com um livro de texto. Só quando a tecnologia for tão fiável é que poderá fazer parte da aula de modo natural. (…)’

[Texto muito abreviado]

‘Ciberescola: Bem vindo à sala de aulas interactiva do futuro…’ in Superinteressante nº141, Janeiro 2010, p. 40-44.

As profundas mudanças

Fevereiro 1, 2010

Vive-se hoje num mundo de rápidas e profundas mudanças que alteram de forma significativa a forma como as pessoas interagem entre si. Não é só a forma de comunicar que tem vindo a alterar-se, mas a própria forma de ver o mundo, a vida, os outros e a rede de relações que nos fazem existir como pessoas. Margaret Mead, no início dos anos 70, dizia que os adultos, que à época tivessem nascido antes da 2ª Guerra estavam condenados a sentir-se como imigrantes no tempo. Com efeito, a sociedade em que eles nasceram, em que eles eram ‘nativos’ desaparecera entretanto. Assim, as pessoas mesmo sem se deslocarem, podendo viver na mesma casa em que nasceram, obrigatoriamente experimentavam o desenraizamento daqueles que outrora mudavam de continente. Uma ideia semelhante é sugerida por Prensky quando ele distingue os nativos digitais dos imigrantes digitais. Àqueles que nasceram na era da disseminação da informática ele denomina nativos digitais, e que corresponde em grande parte à geração que actualmente frequenta as nossas escolas básicas e secundárias. Inversamente os adultos, pais, avós e professores cresceram num mundo totalmente diverso. Os avós e os professores mais velhos nem sequer nasceram com a televisão. Os pais e os professores mais novos já nasceram num mundo marcado pela televisão, mas completamente alheio à revolução que veio a ser introduzida pelas novas tecnologias  da comunicação. Dito de outro modo, se recuarmos no tempo, constatamos que em poucos anos, as alterações foram muitíssimas e profundas, no ãmbito da tecnologia, economia, cultura,comunicação, política. (…)

Usando os termos de Prensky, na escola temos os professores – imigrantes digitais – e temos os alunos – nativos digitais. dito de outro modo os professores estão confrontados a ensinar e a organizar processos de aprendizagem para alunos que estão mergulhados numa cultura bem diferente da sua. Uma tal situação apresenta-se com desafios de toda a ordem. (…)

Consideráveis esforços têm sido dispendidos em investigações que se têm focalizado na descrição e compreensão das dinãmicas da sala de aula decorrentes da integração das TICs. No entanto, este campo de investigação, embora ainda em franco desenvolvimento – mas nem sempre abarcando a enorme complexidade do que está em causa – não tem sido equivalente na descrição, análise e compreensão do lugar que a comunicação virtual ocupa no desempenho da complexidade de funções que os professores são chamados a desempenhar na escola. (…)

O recurso a funcionalidades da comunicação virtual, pode revelar-se como potenciador de estratégias de maior eficiência e maior eficácia para a superação das dificuldades quer de natureza pessoal, quer institucional, que os professores têm de enfrentar.

As tecnologias de informação e comunicação podem propiciar um novo tipo de interacção professor/aluno, uma nova forma de integração dos professores na organização escolar. (…) Importa que os professores possam apropriar-se não só das tecnologias que pertencem a um mundo de que não são nativos – o que em muitos casos corresponde a aprender uma língua estrangeira – e que se sintam à vontade na comunicação com essa nova linguagem. (…)

RANGEL, Maria José – As TIC na Educação. Notícias da Federação, nº 4, Dezembro 2009.  p. 7