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UM ARTIGO SOBRE VIDEOJOGOS

Março 4, 2010

Numa investigação finalizada em 2007, 260 jovens do 9º ano de escolaridade de 14 distritos falaram sobre as suas práticas de videojogos, nomeadamente on-line, e sobre a sua perspectiva sobre esses usos. Neste estudo, verificou-se  que uma percentagem significativa dos jovens (58,3%) joga on-line e fá-lo muitas vezes com outros, tanto colegas conhecidos, como com pessoas doutras partes do mundo. Os jogos favoritos são de futebol, de luta, de carros e todos os que têm um elevado grau de desafio, que obrigam o jogador a estar concentrado, que são divertidos, mas também os que permitem serem jogados em grupo. Para além disso, alguns dos jovens inquiridos (63,5%) acreditam que se pode aprender com os jogos, por exemplo, a pensar, a ganhar destreza física e mental e a perceber que ‘nem tudo na vida é como nos videojogos’. 

Para  complementar a perspectiva dos jovens e com o propósito de  de obter a percepção das famílias sobre os videojogos, realizaram-se quatro entrevistas a pais (no caso, todas mães), com filhos a frequentar o 4ºano do 1º ciclo. Estas entrevistas tinham um caracter meramente exploratório na medida em que procuravam apenas fazer o levantamento das perspectivas dos pais sobre a temática a analisar, pretendendo-se dar continuidade através de um estudo mais alargado e abrangente. Para esta altura, o objectivo era reunir informação que pudesse auxiliar e orientar a elaboração de uma brochura sobre os videojogos.

A primeira dificuldade das entrevistadas é saberem o que é um videojogo. Uma refere ‘não estar muito a par das brincadeiritas da filha no computador’ e outra das entrevistadas diz ‘nunca joguei com os meus filhos, não gost, faz-me aversão’. Por isso, a ideia do que é jogar têm-na, segundo outra das mães, ‘pelas filhas’. E o facto de não jogarem conduz a uma sensação de ‘estar um bocado à parte’; ‘vejo jogar, mas participar só uma vez ou duas’.

Não significa isso que não sigam esta actividade dos filhos. Observam aquilo que eles vão fazendo, apesar de não perceberem ‘como têm paciência para estar ali tic-tic, tic-tic … Dessa observação e ‘da conversa com os meus filhos, vejo que há um objectivo no jogo, tem de se passar vários obstáculos e vários níveis para se ganhar pontuação’. As conversa sobre video jogos parecem partir mais das crianças: ‘Às vezes, com o entusiasmo, se se passa alguma coisa, vem explicar-me o que conseguiu fazer. Eu ouço, mas o que ele diz ou nada é quase igual, mas para ele é uma vitória’.

Ao solicitarmos que explicassem os motivos que fazem as crianças gostarem dos videojogos, as entrevistadas identificaram o poder controlar e o serem autónomos, o soltar a imaginação e a dimensão lúdica como os aspectos essenciais. 

Pedia-se, ainda, que indicassem informações relevantes para os pais em geral ficarem a conhecer melhor os videojogos. Por um lado, uma das respostas obtidas refere que ‘devem saber os perigos que isso traz para informar os filhos’. Dicas como seleccionar jogos que tenham ‘simultaneamente desafio, interesse, dificuldade e sejam adequados à idade deles’; ou explicitação de problemas associados e a gestão das horas de jogo  são outras sugestões mencionadas. Para outra das mães inquiridas, ‘a tendência é pensar sempre nos aspectos negativos e valorizar mais esses factores’, por isso defende que ‘seria interessante mostrar algumas vantagens’.

A auscultação das perspectivas de jovens e dos pais, com os resultados do primeiro estudo e o conteúdo das entrevistas, constituem-se como fontes que ajudam a justificar e a fundamentar a construção de uma brochura sobre os videojogos, e juntamente com uma sobre televisão e outra sobre Internet e Redes Sociais, são produto de um projecto (…) . O objectivo deste recurso é reunir conteúdos que permitam aos pais terem informações claras, concretas e num formato de fácil consulta, mas que apresentem os videojogos nas suas várias dimensões. Este será mais um instrumento que permitirá aos pais cumprir as suas funções de mediadores e poderem interagir com os filhos relativamente a um assunto que nem sempre dominam, como se observa pelas entrevistas, e sobre o qual, com frequência, têm informação numa perspectiva negativa.

PEREIRA, Luis [Universidade do Minho] – Dimensão lúdica: ‘Nem tudo na vida é como nos videojogos’, in Público na Escola, nº195 [Outubro 2009], p.8

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